Alemão presta depoimento no Cope Data: 28/11/2007
Vestindo bermuda, de sandálias e algemado, Antônio Medeiros (Alemão), 48 anos, chegou por volta do meio-dia ao COPE, sob forte esquema de segurança para prestar depoimento sobre a participação em assassinatos em Sergipe. Alemão foi preso na cidade de Eunapólis, no sul da Bahia e depois transferido para Salvador.
Ele confessou que, a mando de Floro Calheiros, assassinou o ex-deputado Maurício Coltrin com cinco tiros. Alemão e o comparsa Roque utilizaram uma pistola 380 e um revólver calibre 32. Eles também prepararam uma emboscada para o ex-prefeito de Mucuri, na Bahia, Roberto Costa.
Já em Sergipe, ele confessou ter assassinado em Canindé um homossexual que a polícia suspeita ser o radialista Cazuza, morto em março de 2000, bem como o segurança de prenome Josvaldo. A polícia sergipana também suspeita da participação em outros crimes, como o do agiota Motinha, na rodovia José Sarney. As informações foram passadas pelo secretário de Segurança, Kércio Pinto, à juíza da 5ª Vara Criminal, Iolanda Magalhães, que hoje tomará o depoimento de Alemão.
Zezinho Cazuza
O pistoleiro Alemão confessou vários crimes. Um deles praticado em Canindé de São Francisco, em Sergipe, quando, segundo revelou, matou “um homossexual por divergências políticas de Ricardo Alagoano com a vítima”. A polícia desconfia que este teria sido o assassinato do radialista José Wellington Fernandes, o Zezinho Cazuza, no dia 13 de março de 2000. O mando do crime foi atribuído ao ex-prefeito Genivaldo Galindo. Alemão ainda confessou ter matado, ainda em Canindé de São Francisco, um segurança de nome Josvaldo, também a mando do próprio Floro Calheiros. O agiota foragido chegou a ser destaque, em 2003, no programa “Linha Direta”, da Rede Globo, por comandar crimes de mando em Sergipe, na Bahia e em Rondônia. Na época, ele foi apontado como um dos mandantes do assassinato do deputado estadual Joaldo Barbosa, o Nego da Farmácia, em janeiro de 2003. Floro Calheiros fugiu da 1ª Delegacia Metropolitana, no conjunto Leite Neto, no dia 2 de julho de 2003, pela porta da frente.
Lista de assassinatos é extensa
Com a prisão de Alemão, o delegado especial André Luiz Serra elucidou outros crimes: a morte do gerente José Carlos da Silva Moraes, 51 anos, do Complexo de Lazer Axé Moi, em Porto Seguro no dia 18 de setembro; a execução do traficante “Toninho”, ocorrida nos fundos de um motel às margens da BA-290, em Teixeira de Freitas; o assassinato do empresário Djair Elói, sócio-gerente do grupo “Para Todos” jogos lotéricos em Eunápolis, em 25 de março de 2007; e, há cerca de sete anos, a mulher de um homem identificado como Guta, um contador de Teixeira de Freitas, este também a mando de Floro Calheiros. Alemão confessou ainda que soube da própria boca de Floro Calheiros que ele teria sido o responsável pela chacina, em 2003, de cinco pessoas de uma mesma família nos pertences de uma fazenda de propriedade de um empresário do ramo de móveis e eletrodomésticos na localidade de Corumbau, no litoral norte do Prado, também na região sul da Bahia. A mando de Floro, Alemão também esteve em Ariquemes, no estado de Rondônia, para matar uma pessoa que ameaçava, junto com os índios, invadir suas terras. O pistoleiro também confessou que já estava contratado por Floro para matar um agropecuarista de Teixeira de Freitas de nome “Jamil”, por causa de uma transação mal feita na compra e venda de gado. E para surpresa dos policiais baianos, o pistoleiro Alemão também confessou que o seu parceiro Roque foi quem atentou contra a vida do ex-prefeito de Mucuri, Roberto Carlos Figueiredo Costa, o “Robertinho”, em abril de 2004, quando o político teve o seu carro alvejado com 12 tiros quando saía de casa na companhia da família em Mucuri. Na época, Robertinho, a babá da sua filha e um amigo que viajava no banco traseiro saíram feridos à bala. A babá ficou em coma 17 dias. Alemão disse que a empreitada foi autorizada por Floro Calheiros, mas a ordem não era para matar Robertinho, era apenas para dar um susto. No entanto, o delegado especial André Luiz acredita que o atirador foi o próprio Alemão. O ex-prefeito Robertinho nunca quis se pronunciar sobre o fato. Por fim, Alemão ainda confessou a morte do seu próprio irmão, morto com 18 facadas em 1982, na cidade de Almenara (MG), quando foi preso em flagrante e pago a pena após ter sido submetido a julgamento popular.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
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